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Prescrição de antibióticos nas crianças: um cartaz pode mudar tudo

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2019-03-20

Prescrição de antibióticos nas crianças: um cartaz pode mudar tudo

Um estudo de avaliação do impacto de programas de apoio à prescrição de antibióticos feito na Urgência pediátrica do Hospital Beatriz Ângelo (HBA) e publicado na última edição do Portuguese Journal of Pediatrics (janeiro/março de 2019), a revista da Sociedade Portuguesa de Pediatria, conclui que medidas simples de alerta sobre os antibióticos recomendados para cada patologia têm um impacto significativo na prescrição correta destes medicamentos.

O estudo, coordenado pelo diretor do Departamento de Pediatria, Paulo Oom, e assinado pela pediatra Sofia Lima e pelas gestoras operacionais Ana Escária e Daniela Duarte, todos do HBA, tem como base o problema do uso incorreto dos antibióticos, como estando relacionado com o aumento das resistências bacterianas. E analisa a prescrição de antibióticos feita pelos médicos da urgência pediátrica do HBA durante um ano às crianças com idades entre os seis meses e os dois anos (mais de cinco mil) e com diagnóstico de otite média aguda.

Esta análise está relacionada com os efeitos de uma intervenção feita durante um período de quatro meses ao longo desse ano, intervenção que consistiu em colocar um pequeno cartaz em local bem visível das salas de consulta das urgências, no qual se dizia que, de acordo com as recomendações internacionais, «na otite média aguda, sempre que o tratamento com antibiótico é necessário, a amoxicilina é o tratamento de primeira linha após o período neonatal». O mesmo aviso alertava ainda para o facto de que a prescrição de outros antibióticos só deve ser feita em determinadas circunstâncias, as quais eram também descritas.

A análise descrita neste estudo, que abrange o período antes, durante e após esta intervenção, revela que a prescrição do antibiótico correto, que já era elevada entre os pediatras da Urgência, aumentou ainda mais durante a intervenção e manteve-se elevada após a retirada do aviso.

O mesmo já não aconteceu com outros especialistas a trabalhar na urgência pediátrica, como os médicos de medicina geral e familiar, os quais prescreveram muito mais o antibiótico correto enquanto o cartaz esteve exposto, mas depois voltaram aos níveis de prescrição anteriores de amoxicilina, muito mais baixos do que os dos pediatras.

Os autores referem que este estudo mostra que os profissionais de saúde são influenciados por programas para a otimização do uso de antibióticos e que estes podem resultar em prescrições mais adequadas destes medicamentos. Ainda segundo aponta o estudo da equipa do HBA, os profissionais aderem a estes programas espontaneamente, não os considerando como uma limitação à sua autonomia clínica, pelo que eles «devem ser prolongados sob pena de os seus resultados se perderem com o tempo».

Leia o artigo

Point-of-prescription intervention to improve the choice of antibiotic in acute otitis media in children
Paulo Oom, Sofia Costa Lima, Ana Escária, Daniela Duarte
Port J Pediatr 2019;50:12-7
doi: 10.25754/pjp.2019.13379


 

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